Revelar um filme e conseguir acertar o tom do negativo para proporcionar melhores cópias finais é trabalho meticuloso, delicado e de muita paciência. É dar forma à imagem latente. O laboratório é o momento da reflexão, de olhar para dentro. É a hora de transformar um grito em canto, de obter a tradução fiel da intenção do fotógrafo nas ampliações. Trabalhar no quarto escuro talvez fosse uma vocação apenas para monges zen budistas. Rosângela Andrade assimilou todas as qualidades necessárias para passar a vida revelando as angústias e anseios alheios. Ela percebe detalhes e nuances, é mais que cumplicidade com o trabalho do fotógrafo, é dar corpo à alma do fotógrafo. Ou melhor, é quando corpo e alma se fundem. A fotografia está umbilicalmente ligada à memória. Fotografar com filme nos tempos de hoje, num mundo cada vez mais impessoal é como preservar o caderno de caligrafia, escrever com capricho de forma absolutamente pessoal.

[fechar]
×